Uma igreja no concelho de Felgueiras, com quase três décadas de existência, vai sofrer uma reabilitação para se tornar mais funcional, acolhedora e contemporânea para os seus fiéis.
Tornar um espaço mais apelativo, contemporâneo e acolhedor está sempre na base da decisão de reabilitar uma casa, seja ela qual for. Quando esse espaço é a ‘casa do Senhor’ a responsabilidade é ainda maior pois acresce a vontade de criar um local que favoreça ao recolhimento espiritual.
Cientes dessa tarefa, os arquitectos Ana Fernandes Loureiro e Fernando Castro Coelho conceberam um moderno e funcional projecto de reabilitação para a igreja de São Jorge de Várzea, em Felgueiras, sem descurar o aspecto mais intimista do espaço.
“O monte como lugar da manifestação de Deus” é o ponto de partida para a inspiração do projecto. “O interior da igreja tem a forma de um monte, para passar a ideia do monte onde Jesus rezava. E para as aberturas do edifício, optámos pelo formato de gotas associado à pureza da água utilizada para o baptismo”, explica o arquitecto Fernando Coelho.
Na memória descritiva, realça-se que “o gesto será criar uma nova “pele interior” para a igreja. Este perfil, com a forma de um monte, afasta-se da estrutura existente da igreja, que ficará intacta. A luz natural entrará pelos vãos existentes, sendo filtrada por novas aberturas rasgadas na pele agora criada”.
Para tornar o espaço mais funcional para quem tem problemas de mobilidade e não quer deixar de cumprir os seus actos de fé, a intervenção prevê a criação de rampas de acesso ao interior da igreja, que tem, actualmente, várias portas de entrada, todas com lances de escadas, a envolver a sua área que totaliza os 385 m2.
“Amplia-se ainda o compartimento de arrumos, que poderá funcionar também como arquivo. Remodela-se a zona da sacristia, reduzindo-se à área de instalações sanitárias. Redesenha-se o presbitério, procurando aumentar a sua dignidade. Os elementos essenciais — altar, ambão, cadeira do sacerdote, sacrário — foram redistribuídos de modo a tornar o espaço mais orgânico e ordenado”, enumera-se ainda na memória descritiva.
A pia baptismal do presbitério irá mudar para um local próprio criado à esquerda da entrada principal (baptistério) e vai redesenhar-se o sistema de iluminação artificial, sendo este aplicado nas aberturas propostas para entrada de luz natural.
Para quebrar o ambiente gélido que caracteriza habitualmente os espaços religiosos, os arquitectos resolveram revestir as paredes interiores em “pladur” com isolamento térmico e soco em mármore branco. Uma opção que traz mais-valias “não só em termos térmicos mas acústicos”.
Além da obra de reabilitação da igreja que deverá arrancar no próximo mês, o escultor Paulo Neves ficará encarregue da execução das peças principais do presbitério (altar, ambão e sacrário) e da pia baptismal. Com um orçamento previsto de 140 mil euros, o encargo das obras será assumido pela Fábrica da Igreja Paroquial de S. Jorge de Várzea, esperando-se a sua conclusão até Dezembro deste ano.
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